terça-feira, 8 de dezembro de 2009

As boas contratações do Vasco

Poucos recursos, e um acesso recente. Mas mais do que isso, olhos abertos para os bons valores que surgem na rigorosa Série B. Acho que esse é um panorama dos [prováveis] reforços do Vasco para a disputa do campeonato carioca do ano que vem.

Caíque foi o melhor jogador de um surpreendente Guarani. Rápido, habilidoso, bom finalizador. Mesmas características apresentadas por Rafael Coelho, uma das melhores revelações do Figueirense dos últimos anos. Para completar, o volante Léo Gago; bom marcador, mas que sabe sair para o jogo (ainda que não tão bem) é o tipo de atleta que organiza e equilibra um meio-de-campo mais ofensivo.

Enfim, três ótimos reforços, que chegam com condições reais de serem titulares. Acredito que Caíque deva começar no banco e ir ganhando seu espaço aos poucos. Léo Gago e Rafael Coelho devem chegar para compor os 11 iniciais, e com qualidade.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Os grupos da Copa

Seria presunção da minha parte fazer prognósticos e estimativas sobre os grupos para a Copa que acabaram de ser decididos. Mesmo porque qualquer pessoa que tenha uma opinião bem decisiva sobre Honduras, Coréia do Norte e Argélia está de brincadeira.

Mas faço alguns chutes. Ano que vem, vésperas da Copa do Mundo (se eu lembrar) eu refaço as minhas estimativas, para ver as mudanças, e bato com os resultados que daí sairem durante competição.

GRUPO A: África do Sul, México, Uruguai e França

A África do Sul vai jogar em casa, mas é só. Tem alguma chance de beslicar um bom resultado contra México e Uruguai, que brigam pela segunda vaga, mas dificilmente vai se classificar. Na verdade, arrisco até que vai ser o primeiro país-sede a não passar da primeira fase (e se passar, vai cheirar à marmelada).

México e Uruguai, como dito antes, brigam pela segunda posição. Hoje, alguns meses antes da Copa, ouso dizer que o México está melhor, mas não dá para subestimar o Uruguai do meu ídolo Lugano. A França, por sua vez, teve a sorte (será?) de cair no grupo  do cabeça-de-chave mais fraco, o que lhe dá uma imensa vantagem. O que pode atrapalhar é o maluco do Raymond Domenech.

Prognóstico:
1º França
2º México
3º Uruguai
4º África do Sul

GRUPO B: Argentina, Nigéria, Coréia do Sul e Grécia

A Argentina caiu num grupo complicado, mas nem tanto. Os três outros times podem tanto ir bem quanto ir mais ou menos, por ter bons jogadores mas pouco conjunto. A Nigéria, por exemplo, tem em mãos uma de suas piores gerações dos últimos tempos, mas não pode ser subestimada. Principalmente por jogar quase "em casa". A Coréia do Sul está crescendo, e já se firmou como principal país asiático, e deve dar trabalho. A Grécia tem um time envelhecido, e eu admito que desde 2004 que não presto atenção neles. Assim como no Grupo A, o que pode atrapalhar os imensos favoritos é o técnico maluco, Diego Maradona.

Prognóstico:
1º Argentina
2º Coréia do Sul
3º Nigéria
4º Grécia

GRUPO C: Inglaterra, Estados Unidos, Argélia e Eslovênia

A Inglaterra se arrumou com o italiano Fábio Capello, que conseguiu até fazer o Gerrard jogar junto com o Lampard, coisa que ninguém ainda tinha feito. Vem, para mim, como favoritíssima. A outra vaga deve ficar entre Estados Unidos e Eslovênia. Desses dois, dou preferência para os norte-americanos, que tem condições mesmo de complicar as coisas para seus companheiros linguísticos britânicos. A Argélia, para mim, é uma incógnita... Acho que não sei nem mesmo dizer um jogador nascido lá.

Prognóstico:
1º Inglaterra
2º Estados Unidos
3º Eslovênia
4º Argélia

GRUPO D: Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana

Esse grupo está complicado. A Austrália está com uma geração talentosa, Gana também e a Sérvia herdou o melhor da antiga Iugoslávia. Ou seja: vida dura para a Alemanha, que devem se classificar com dificuldades.

Prognóstico:
1º Alemanha
2º Sérvia
3º Gana
4º Austrália

GRUPO E: Holanda, Dinamarca, Japão e Camarões

Admito que eu não confio nesse time da Holanda. Apesar da campanha irrepreensível nas Eliminatórias, eles estavam num grupo fraco, e se não precisaram jogar muito para garantir a vaga, pelo menos os laranjas foram consistentes. A Dinamarca sempre complica, com uma defesa forte. O Japão também está em crescimento, assim como a Coréia do Sul, e os Camarões tem ótimos jogadores. Vou arriscar e dizer que a Holanda fica de fora (tá, sou japonês e tem muito de bairrismo nisso).

Prognóstico:
1º Camarões
2º Japão
3º Holanda
4º Dinamarca

GRUPO F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia

A Itália deve arrebentar com os outros rivais. A outra vaga fica entre os outros três países, aliás, dois. A Nova Zelândia deve perder os três jogos. Fica a disputa entre Paraguai e Eslováquia e desses, o Paraguai vem de uma eliminatória absurda.

Prognóstico:
1º Itália
2º Paraguai
3º Eslováquia
4º Nova Zelândia

GRUPO G: Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal

Essa é a primeira vez que eu vejo o Brasil tendo pela frente um grupo difícil. A Costa do Marfim tem um timaço, e Portugal é Portugal. A lanterna deve mesmo ficar com a Coréia do Norte (aliás, não perco esse jogo contra eles por nada). Na dúvida, fico com o fator continente.

Prognóstico:
1º Brasil
2º Costa do Marfim
3º Portugal
4º Coréia do Norte

GRUPO H: Espanha, Suíça, Honduras e Chile

Achei esse grupo o mais interessante da Copa. Sou fã do futebol do Chile, e acho a Suíça uma das seleções mais legais de se ver jogar. Honduras tem, para mim, o peso político, e a Espanha tem o melhor time da Europa hoje. Infelizmente, acho que os hondurenhos vão ser figurantes, os espanhóis vão atropelar e a última vaga fica entre Chile e Suíça. Aposto mais nos primeiros.

Prognóstico:
1º Espanha
2º Chile
3º Suíça
4º Honduras

A dois passos do paraíso


Talvez seja complicado prever o campeão à uma rodada do final do Campeonato Brasileiro então, obviedades, não vou fazer isso.

Vou apenas dizer que é chato e repetitivo ter que ouvir que a competitividade desse ano somado às boas médias de público são um argumento favorável aos pontos corridos, tão combatidos e combalidos pela Rede Globo.

Não me levem à mal; sou completamente favorável ao campeonato por turno e returno, sem mata-mata. Mas esses argumentos são tão fracos quanto a campanha do Sport desse ano.

O que é interessante dizer, e legal notar, é ver o desempenho dos vinte clubes que estão disputando o campeonato.

Farei isso no final.

Ate lá!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

E o título vai para... o STJD

Que o STJD é ______________ até meu cachorro (que não é lá dos mais espertos de sua raça) já sabe.

Bobos somos nós.

Que aceitamos uma ____________ dessas.

Os tribunais esportivos nunca tiveram uma existência lá muito interessante, então talvez seja ânsia por chamar a atenção.

O nome dos juízes dessa instituição de ___________ não sai na mídia.

Não é por acaso.

Fiquem espertos...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Esperança

Há pouco mais de um mês para o final do ano, dois clubes aparecem já com um 2010 distinto do que foi esse ano de 2009: Vasco da Gama e Sport. Situações diferentes, em que o ano que vem aparece, para um, como o retorno ao lugar de onde não deveria ter saído e, para outro, enquanto a tristeza de um ano no limbo.

Promessas de final de ano à parte, o Vasco da Gama subiu - e deve ganhar o título - com uma certa facilidade (e dramaticidade). Com um bom planejamento e a aposta em um técnico sério, Dorival Júnior, o clube da Colina teve um começo difícil. Aos trancos e barrancos, porém, começou a engrenar e, daí para cima na tabela, já está com uma mão e mais alguns dedos no caneco.

Jogando contra equipes tecnicamente mais fracas, o clube carioca aproveitou para que alguns jogadores se afirmassem e, outros, como é o caso de Carlos Alberto, recuperarem suas carreiras. O caso do Carlos Alberto, aliás, é exemplar. Sempre jogando em times grandes, em um certo momento de sua carreira seu futebol sumiu; contratação mais cara e mais furada da história do Werder Bremen, titular no Corinthians/MSI, inconstante no São Paulo, o jogador parece ter se reencontrado com a bola. Jogando bem, mais maduro, cometendo menos erros e mais disciplinado, o atleta assumiu uma postura de liderança e foi um dos principais nomes para a recondução desse Vasco à Série A do Campeonato Brasileiro.

Desse Vasco, aliás, destaco dois outros nomes. O primeiro deles é o zagueiro Titi. Revelado pelo Internacional e sempre tratado como promessa, Titi teve pouquíssimas chances no Beira-Rio. Levado, assim, para o Vasco, tornou-se titular e, em pouco tempo, mostrou que o futebol apresentado na base era mais do que suficiente, também, entre os profissionais. Situação parecida vivida pelo outro grande nome desse acesso vascaíno, Alex Teixeira.

Considerado uma das maiores jóias das canteiras vascaínas, Alex Teixeira teve atuações razoáveis ano passado, na campanha do rebaixamento. Subindo despreparado para atuar nos profissionais e tendo que carregar uma imensa responsabilidade, Alex Teixeira sucumbiu e, apesar das ótimas atuações, foi extremamente irregular. Mesmo quando ia bem, o jogador mostrava-se tímido, meio nervoso até, em comparação ao que costumava fazer na base. Esse ano, a situação foi outra. Decisivo em uma série de partidas, principalmente nessa reta final do campeonato, Alex Teixeira cresce cada vez mais de produção, e nos dá a esperança de que ele será realmente o jogador que se espera. É esperar para ver como ele irá se sair ano que vem, jogando contra times mais fortes.

O Sport, por sua vez, não deve jogar o time desse ano no lixo e recomeçar do zero. O mais provável é que o desmonte venha por propostas aos seus jogadores do que efetivamente um processo de renovação vinda por parte da diretoria, então acho que as mudanças serão meio forçadas. A equipe, apesar do rebaixamento, mostrou um bom futebol, e com alguns novos jogadores poderia fazer uma campanha ótima ano que vem.

Magrão continou mostrando a segurança de tempos (já cheguei a pensar nele como um bom reserva para a seleção), a zaga que já foi campeã brasileira pelo Atlético Paranaense também tem qualidades e as revelações foram mais do que interessantes.

Eu nunca tinha ouvido falar nesse Adriano Pimenta. Não sei nem mesmo se ele é revelação do Sport, mas acho que sim: teve uma única passagem pelo Blooming, da Bolívia, em seu perfil no site oficial do Leão da Ilha.  Bom jogador, rápido, foi um dos bons nomes que surgiram nessa campanha do rebaixamento. Assim como outro, esse sim com status de craque e tratamento diferenciado. Acho que quem acompanha futebol de base já tinha ouvido e esperava muito do Ciro, e o jogador tem realmente mostrado ser talentoso. Um tanto desequilibrado emocionalmente (fato que para uns jornalistas é sinal de problema) mas dotado de um imenso futebol, Ciro tem alternando partidas como titular e como reserva, sendo preparado, aos poucos, para explodir. Ano que vem, se ele não sair, a Série B será o lugar ideal para que ele, assim como foi com Alex Teixeira, busque seu espaço entre os novos nomes do futebol brasileiro.

Dessa forma, Vasco e Sport tem tudo para viverem em 2010 um ano melhor do que esse que está passando. Com bons nomes se firmando na equipe, e com jogadores experientes e talentosos, os dois clubes têm tudo para, com um bom planejamento, alcançar as metas estipuladas. Seja uma participação digna na Série A, seja para conseguir o acesso na Série B.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Os Erros de Carlos Eugenio Simon

Comentar erro de arbitragem é tipo xingar a mãe (não a sua, a dos outros): todo mundo sabe que é feio, mas volta e meia não dá pra segurar. Eu, particularmente, não gosto muito de falar do assunto. Acho que os árbitros tem uma das profissões mais difíceis do mundo, e uma das piores, senão a pior.

O Simon que o diga. Tem errado bastante nos últimos jogos, e em momentos decisivos. Esse do jogo do Palmeiras, gol anulado do Obina, pareceu ser a gota de água que faltava para o copo transbordar. E transbordou.

O Globo Esporte fez até um videozinho, mostrando os erros do Simon. Todos, claro, davam a certeza de que o clube paulista foi prejudicado. O André Kfouri até chegou a afirmar que o afastamento do árbitro demorou, pelo que ele vinha fazendo no campeonato.

Não vou nem entrar no mérito da experiência do Simon, já escalado para a próxima Copa do Mundo. Mas todo mundo erra, ainda que nem todos tenham o direito de errar. Não quero - e nem pretendo - fazer uma defesa da arbitragem. Perdi a conta de quantas vezes fui expulso ou tomei falta técnica por reclamar demais enquanto jogava basquete; ou seja, eu mesmo corneto quando os erros me afetam pessoalmente.

Achei apenas que a imprensa como um todo se exaltou demais dessa vez, quase como os estudantes da Uniban com relação àquela aluna. Nenhum absurdo, tendo em vista o tamanho do erro. Mas o Toninho Cecílio, Muricy Ramalho e o Belluzzo se revoltarem está tudo certo, é função deles defender o interesse do clube cuja camisa administram. Não é essa a meta da imprensa (ou, se é, que me desculpem).

Eu mesmo achei que ele errou: mas errou duplamente, diga-se, pois o lance que originou o gol não era escanteio, e sim tiro de meta claro. Só que ver pela televisão as coisas ficam mais fáceis. Na hora, no calor do jogo, as pessoas estão passíveis de errar. O ex-árbitro José Roberto Wright chegou ao cúmulo de dizer que o Simon pensa estar acima do bem e do mal.

Calma lá, o que tem a ver uma coisa com outra? É normal um árbitro não admitir um erro, o próprio Wright fez (e continua fazendo) isso durante sua carreira. Isso não é se posicionar acima da verdade, ou seja lá o que for, é se defender das acusações a que é submetido. E um árbitro é chamado de ladrão a filha da puta diariamente, por todos que o cercam.

Concordo com o afastamento de Carlos Eugênio Simon. Um árbitro que tem sua honestidade e probidade postos em dúvida não deve mesmo apitar, pelo bem do campeonato. Também concordo que ele tem errado, e em lances no mínimo estranhos. Talvez seja fase, não sei. Para mim, ele sempre foi ruim, mas bem articulado politicamente dentro dos quadros da arbitragem. Só não acho que seja para tanto. Esse erro, pelo momento em que ocorreu, pode decidir o campeonato, é bem verdade. Só que Simon é um ser humano. E todos que atiram pedras com certeza já erraram alguma vez na vida. Criticar é fácil demais...

domingo, 8 de novembro de 2009

A.S. Livorno

Estávamos em Pisa, e decidimos - ou melhor, eu decidi - passarmos na cidade de Livorno, que fica à uns 20 km de distância apenas. O objetivo? Conhecer o estádio Armando Pichi, do A.S. Livorno e, se possível, arranjar uma camiseta do clube.

Sempre tive a impressão de que a torcida do Livorno era altamente politizada. Considerados em sua maioria comunistas e de extrema-esquerda, os ultra do clube sempre ostentam, em seus jogos, bandeiras do Che Guevara além de cantarem com frequência (especialmente quando enfrentam Juventus e Internazionale) o hino de resistência Bella Ciao. Maior exemplo do que ocorre fora de campo, o atacante Cristiano Lucarelli. Símbolo do clube tatuado no braço, comemorando seus gols com o punho direito erguido, comunista declarado,  ele é um torcedor que se realizou seu sonho de virar jogador no clube para o qual torcia.

Admito que minhas impressões foram, no pouco espaço de tempo em que fiquei na cidade, bem concretizadas.

Era de noite, e uma noite de chuva quando chegamos no A. Pichi. Entramos no estádio, e na parte coberta da arquibancada alguns garotos, todos na faixa dos treze anos, se aqueciam. De um lado, os meninos do Livorno. De outro, os da Juve. Perguntei para o técnico das canteras se eu poderia subir na arquibancada. A resposta foi positiva.

Subi, e vi o estádio. Lágrimas quase escorreram dos meus olhos de emoção, admito. O lugar era pequeno, feio, passando longe do processo de modernização que vêm ocorrendo nos estádios europeus (digno mesmo de clubes da Série B do Brasileiro). Um símbolo de resistência em plena primeira divisão da liga italiana.

Saio, procurando por algum indivíduo que pudesse me indicar onde alcançar uma camiseta do clube. Vou parar na única luz acessa na parte externa do Armando Pichi, uma enfermaria. Pergunto para o enfermeiro, numa mistura de inglês, mímicas e português, onde eu poderia achar o manto do Livorno. Ele sorri e me leva - em plena chuva - para uma parte superior do estádio. Paro, e olho com calma: era a sala da presidência.

Óbvio que o dito cujo não estava lá; mas estavam alguns diretores das categorias de base, que me indicam uma loja no centro da cidade. Um deles anota o endereço num papel e me entrega. Agradeço, e volto para dentro do estádio, onde vejo um bar que fica em frente ao gramado. Bar não. Boteco. E não esses botequins de luxo, um autêntico barzinho de esquina, que vende pinga barata à 50 centavos.

Alguns senhores estavam conversando, sentados, numa mesa. O assunto era óbvio: futebol. Alguns deles estavam com a jaqueta do clube, outros com a camiseta. Interrompo na cara dura a conversa animada deles, pedindo informações sobre a dita loja. Um desses senhores falava inglês, para meu alívio. Boa gente, ele me indicou o caminho, fazendo o favor de ligar para o dono da loja (eu estava com medo de que a loja estivesse fechada, por conta do horário) para avisar que uns chineses estavam indo lá comprar uma camiseta do clube. Chineses não, brasileiros, interrompi. O senhor me olhou meio assustado: Brasileiros? Se você é brasileiro, então eu sou comunista!

Analogia interessante. Acho que pouquíssimos pensariam numa comparação dessas. Só me fez pensar ainda mais sobre a politização da torcida, que se confirmaria outras vezes mais tarde. Enfim, avisado o dono da loja, nos pusemos a caminho.

Ainda tivemos tempo de parar em uma padaria, que ficava a alguns metros da dita loja. Pôster do Livorno na parede, junto à um cartaz: A.S. Livorno não trata de futebol, e sim de política. A falta de tempo e a pressa não me deu tempo de perguntar para o velhinho sobre o cartaz. Mas saí ainda mais confiante do posicionamento político dos torcedores desse clube incrível.

Duas lojas depois, a Baldi Sports. Única loja oficial do clube da cidade, ou melhor: do mundo. Entro, enquanto compro minha camiseta do clube e converso com o filho do dono da loja.  Pergunto a ele sobre qual camiseta comprar: eu queria a do Protti (Igor Protti: 10 forever), que já havia se aposentado. Ele me explica que do Protti a fábrica não fazia mais, justamente por isso, mas que indicava as do Lucarelli, Tavano e Galante. "Os outros não prestam. Só esses três".

Dos três indicados, pergunto qual ele preferiria. A resposta me surpreendeu: Tavano. Porquê não Lucarelli? "Lucarelli não. Ele é comunista". Olho de lado, e peço a do Fábio Galante. Ele fica meio irritado, e eu não tive tempo de me explicar: o Tavano joga com a 10, e eu só compraria esse número se fosse a do Protti. Senão, não.

De qualquer forma, adquiro uma camiseta do Galante, número 6. Ainda tenho tempo de jogar um pouco de conversa fora, e descobrir que o agora vendedor foi um jogador das canteiras do clube. Não entendi direito se foi no profissional ou na base mesmo, mas ele me disse que sua estréia foi contra a Internazionale. "Contra qualquer outro clube teríamos ganho, mas era a Inter! Não tinha como. Fomos massacrados, e eu nunca mais tive uma chance". Pergunto então porque ele não procurou outro clube para jogar. A resposta foi de dar lágrimas nos olhos: "Depois disso [do jogo e da falta de oportunidades no clube] eu perdi a magia de jogar bola. Não é mais a mesma coisa. A magia se foi, se foi...".

Assim, com um depoimento emocionado, me despedi da cidade e do clube. Clube que me mostrou, em poucas horas, a politização de sua torcida, que leva um senhor a brincar com o comunismo, a outro colocar um cartaz em sua loja dizendo que a escolha do Livorno não era futebolística, mas sim política, e outro que admite não gostar do ídolo do clube por este ser comunista declarado. Clube que me mostrou como uma torcida deveria se comportar, aliás: como qualquer indivíduo deveria agir, não apenas enquanto torcedores, mas enquanto seres sociais.

sábado, 24 de outubro de 2009

Save Our Sonics

O post está lá, no Futebol e Resistência.

Entrem: www.futebolresistencia.blogspot.com